A menopausa é uma fase natural na vida da mulher, mas também um momento de importantes alterações fisiológicas que podem afetar a saúde metabólica, óssea, cardiovascular e emocional.

Por ocasião do Dia Internacional da Mulher (8 de março), é especialmente relevante revisar o Relatório do Comité Científico da Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição (AESAN) sobre os riscos nutricionais durante a perimenopausa, menopausa e pós-menopausa.

Este documento científico analisa como as alterações hormonais — principalmente a diminuição dos estrogénios — influenciam o metabolismo, a composição corporal e as necessidades nutricionais da mulher.

A seguir, resumimos as principais conclusões e recomendações do ponto de vista nutricional e dos hábitos de vida.

Alterações fisiológicas na menopausa e seu impacto nutricional

Durante a transição menopáusica, ocorrem alterações hormonais que afetam vários sistemas do organismo.

Entre as alterações mais relevantes destacam-se:

1. Alterações na composição corporal

A diminuição dos estrogénios favorece:

  • aumento da gordura corporal, especialmente abdominal
  • perda progressiva de massa muscular (sarcopenia)
  • diminuição do gasto energético basal

Isto implica que muitas mulheres experimentam aumento de peso, mesmo sem alterações na dieta.

2. Maior risco cardiovascular

O relatório indica que, após a menopausa, aumenta o risco de:

  • dislipidemia
  • hipertensão
  • síndrome metabólica
  • doença cardiovascular

Isto deve-se a alterações no metabolismo lipídico e na distribuição da gordura corporal.

3. Perda de massa óssea

A redução dos estrogénios acelera a reabsorção óssea, o que aumenta o risco de:

  • osteopenia
  • osteoporose
  • fraturas

Este processo pode começar mesmo durante a perimenopausa.

4. Alterações metabólicas

Também se observam alterações no:

  • metabolismo da glicose
  • sensibilidade à insulina
  • inflamação sistémica

Por isso, aumenta o risco de diabetes tipo 2.

Riscos nutricionais identificados pela AESAN

O relatório destaca que muitas mulheres nesta fase apresentam ingestão inadequada de nutrientes essenciais, especialmente:

Cálcio

Fundamental para a saúde óssea.

Sem um consumo suficiente, aumenta o risco de osteoporose.

Vitamina D

É essencial para:

  • absorção de cálcio
  • função muscular
  • sistema imunitário

No entanto, grande parte da população apresenta deficiência de vitamina D.

Proteínas

A ingestão insuficiente favorece:

  • perda de massa muscular
  • fraqueza
  • maior risco de quedas

Fibra

Muitas dietas ocidentais contêm menos fibra do que o recomendado, o que contribui para:

  • aumento de peso
  • pior controlo glicémico
  • alterações intestinais.

Recomendações nutricionais fundamentais de acordo com a evidência científica

Com base na análise do relatório, estas são algumas das estratégias nutricionais mais importantes para a saúde da mulher nesta fase.

1. Priorizar uma dieta mediterrânica

A evidência científica apoia o padrão mediterrânico para reduzir o risco cardiovascular.

Deve incluir:

  • legumes e verduras diariamente
  • frutas frescas
  • leguminosas
  • peixe
  • azeite virgem extra
  • frutos secos

E limitar:

  • alimentos ultraprocessados
  • açúcares adicionados
  • gorduras trans.

2. Assegurar proteína suficiente

Para preservar a massa muscular, recomenda-se:

Um aporte mínimo de 1–1,2 g de proteína por kg de peso corporal por dia

Fontes recomendadas:

  • peixe
  • ovos
  • leguminosas
  • laticínios
  • frutos secos.

A proteína deve ser distribuída ao longo do dia.

3. Cuidar da saúde óssea

É fundamental garantir:

Cálcio: 1000-1200 mg por dia

Fontes alimentares:

  • laticínios
  • iogurte
  • queijo
  • sardinhas com espinha
  • amêndoas
  • verduras de folhas verdes.

Vitamina D:

  • exposição solar moderada
  • peixe azul
  • ovos.

Em alguns casos, pode ser necessário suplementar, sempre sob supervisão de um profissional de saúde.

4. Aumentar o consumo de fibra

Recomenda-se pelo menos 25–30 g por dia.

Isso ajuda a:

  • controlar o peso
  • melhorar o trânsito intestinal
  • regular a glicose e o colesterol.

Principais fontes:

  • frutas
  • legumes
  • leguminosas
  • cereais integrais.

5. Escolher gorduras saudáveis

As gorduras insaturadas têm um efeito protetor cardiovascular.

Priorizar:

  • azeite virgem extra
  • abacate
  • frutos secos
  • peixe azul.

Reduzir:

  • gorduras saturadas
  • produtos ultraprocessados.

Hábitos de vida fundamentais durante a menopausa

O relatório da AESAN também sublinha que a nutrição deve ser acompanhada de hábitos de vida saudáveis.

Atividade física regular

O exercício é um dos fatores mais importantes para a saúde nesta fase.

Recomenda-se combinar:

exercício aeróbico

  • caminhada
  • bicicleta
  • natação

com exercício de força

  • pesos
  • elásticos
  • treino funcional

Isto ajuda a:

  • manter a massa muscular
  • proteger os ossos
  • melhorar o metabolismo.

Controlo do peso corporal

O aumento da gordura visceral pode aumentar o risco de:

  • diabetes
  • doença cardiovascular
  • inflamação crónica.

Uma dieta equilibrada, juntamente com atividade física, é fundamental para prevenir isso.

Sono e bem-estar emocional

Durante a menopausa, são frequentes:

  • alterações do sono
  • ansiedade
  • mudanças de humor.

Estratégias úteis incluem:

  • manter rotinas de sono
  • reduzir o consumo de cafeína
  • praticar técnicas de relaxamento
  • promover o apoio social.

Conclusão: a menopausa como uma oportunidade para cuidar mais e melhor de si mesma

A menopausa não deve ser entendida apenas como uma fase marcada por perdas hormonais ou pelo aparecimento de novos riscos para a saúde. Tal como salienta o relatório do Comité Científico da AESAN, trata-se também de um momento crucial em que os hábitos de vida adquirem um papel ainda mais determinante na saúde presente e futura da mulher.

Do ponto de vista nutricional e do estilo de vida, esta fase convida a rever a relação com o corpo, a alimentação e o autocuidado. Priorizar alimentos de alta qualidade nutricional, manter uma ingestão adequada de proteínas, cuidar da saúde óssea com cálcio e vitamina D suficientes, favorecer alimentos ricos em ferro, antioxidantes e fibra, e manter uma atividade física regular não são apenas recomendações clínicas: são ferramentas para preservar a autonomia, a energia e a qualidade de vida.

Além disso, cada mulher vive essa transição de maneira diferente. Fatores como o estado nutricional prévio, a saúde intestinal, a massa muscular, o descanso ou o stress influenciam profundamente a forma como a menopausa é vivida. Por isso, além das recomendações gerais, é fundamental personalizar a alimentação e os hábitos de vida, adaptando-os à história, às necessidades e ao contexto de cada mulher.

Nesse sentido, a abordagem nutricional não deve limitar-se a evitar déficits ou prevenir doenças, mas sim a acompanhar as mulheres numa fase de mudança, ajudando-as a manter o seu bem-estar físico e emocional.

Porque, no final das contas, a menopausa não é apenas um processo biológico: é mais uma fase da vida que merece ser vivida com informação, consciência e cuidado. E a nutrição, quando entendida de uma forma integradora e respeitosa, pode tornar-se uma das melhores aliadas para atravessá-la com saúde e equilíbrio.

Feliz Dia Internacional da Mulher!